Capítulo III.
Hesitei por um minuto. Tocar naquele assunto, me trazia milhares de recordações. Era como mexer em uma ferida, causada pela saudade de viver aquele amor tão puro e sincero.
Meu Carlos... Quanto tempo não falava dele, não lembrava de nosso tempo... Bons tempos... Da minha juventude, foram os melhores!
Maria me olhava ansiosa. Percebi que já fazia algum tempo que o silêncio havia tomado conta, então a respondi. Claro que concordei. Lembrar daquele meu tesouro me fazia bem, mesmo que me fizesse derramar algumas lágrimas. Gotas de alegria.
Quando ia começar a história, sem perceber, falei algumas palavras.
"Meu amor, saibas que nunca esqueci de ti, e as horas, dias e todo tempo que passei contigo foram os melhores, foram incríveis, sinto tantas saudades, eu te amo."
Minha neta as ouviu. Na verdade foram sussuros. Mas por ela não tê-las entendido, fez expressão interrogativa. Ignorei. Finalmente comecei a mexer nas lembranças, e a contá-las.
"Minha Maria, seu avô era um moço lindo, demais. Esbanjava charme, e era querido, atencioso, respeitoso. Era um romântico. Não foi díficil de me conquistar...
Lembro de seu avô com tanto carinho, eu o amava demais! Seu sorriso tão sincero, sua voz aveludada, seu toque... Minha neta tenho certeza de que vou chorar lhe contando nossas alegrias, mas saiba que são lágrimas de muita felicidade, saudade e principalmente amor...
E antes de mais nada, te aconselho minha querida, case-se por amor, por que não tem coisa mais linda e mais prazerosa de viver do que um casamento apaixonado, um verdadeiro amor. Esse sentimento é o mais puro que existe, e está sendo destruído. Eu e Carlos fomos felizes da forma mais verdadeira, juntamos nosso destino para ser para sempre. Um amor deve ser aquele que nem a morte separa, assim como o nosso.
Cada noite antes de dormir lembro do seu avô, mas faz muito tempo que não mexo nas lembraças, em um passado tão distante.
Conheci Carlos a meio de chuva. Distraída, esbarrei nele. Muito gentil, ele me levou em casa. As palavras e olhares que trocamos naquele pouco tempo foram suficientes para eu me apaixonar." As primeiras lágrimas caíram, e com muito carinho minha neta as secou. Trocamos um sorriso.
"A partir de então ele começou a frequentar minha casa, começamos a nos encontrar mais seguido, até que ele pediu minha mão, ao meu pai. O dia do nosso casamento foi maravilhoso, o dia do nosso primeiro beijo..." Maria me olhava assustada, e eu sabia o motivo. Falei então, para resumir, que o resto de nossa vida juntos havia sido cheia de galanteios, com rosas, poesias, serenatas, amor...
"O casamento foi a parte mais linda de nossa vida; casei quando ia fazer 18 anos de idade, Carlos foi meu primeiro namorado, minha primeira paixão... Seu avô sempre me encheu de carinhos, sinto muita falta dele minha neta, você não imagina o quanto..." Não pude evitar as milhares de lágrimas que caíram de meus olhos, Anninha me abraçou. "Mesmo depois de idosos, ele continuou a me chamar de linda, a me levar café na cama, a me trazer rosas, talvez possa parecer mentira, ou conto de fadas, mas ele foi meu princípe encantado."
Maria Anna já nem lembrava de seus problemas, me deu um beijo de despedida e foi embora, a cuidei da porta, para me certificar que estava bem, e sussurei para Carlos que estava ali comigo. "Olha como temos sorte meu bem, nossas netas são tão lindas, cheias de saúde. Olha o fruto do nosso amor... Eu te amo tanto querido, gostaria de sentir teu toque em mim novamente."
@_annelis
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