terça-feira, 31 de agosto de 2010

Memórias de Amália: Aqueles bons tempos.

Capítulo II.

Tenho duas netas. Mas neste dia foi Maria Anna quem quis meus conselhos.
Minha Maria é de uma beleza majestosa, tem cabelos louros como o sol, brilhosos como seus raios, seus olhos são duas esmeraldas. Minha menina, minha pequena. Naquele dia, seus olhos eram lagos, que derramaram como cachoreira. E eu sabia o que ela queria, o que ela precisava.
Colo. Sim. Minha menina, minha pequena; pode ter seus 14 anos, ter corpo de 18 e pensar como se vivesse seus 20 anos, mas tem alma de criança.
Assim que me viu, pulou em meu colo. Eu no meu posto de avó, aos seus 92 anos e cheia de experiência, a abracei com todas as minhas forças, mesmo que não fossem muitas, pois já tenho ossos fracos, e lhe amparei, lhe dei segurança. Qual seria o motivo de tanta tristeza, se era moça tão linda e esperta? Foi o que eu a perguntei.
Entre soluços e lágrimas, ela tentava explicar-se. Lhe dei um tempo, e a acalmei com toda paciência de quem já sofreu, e já esteve no lugar da adolescente.
Quando o silêncio já tomava conta, e a calmaria já estava me adormecendo, ela se desculpou, e agradeceu. Eu consenti com a cabeça, e refiz a pergunta. Ela não quis falar. Respeitei a escolha e consenti novamente com a cabeça. Então a ajeitei em meus braços e lhe propus contar uma história, Maria deu o primeiro sorriso desde que havia chegado, isso me animou.
Não fazia idéia do que contaria, mas precisava ver aquele sorriso meigo e feliz no rosto da minha mocinha novamente.
Então comecei.
"Era manhã de segunda-feira, Georgia tinha aula. Isso a entristecia, ela só queria ficar sozinha. Como toda adolescente nessa fase, estava cheia de dúvidas, e coisas que considerava serem problemas. Ela queria um canto escuro, escondido do mundo, para pensar, para por os pensamentos e a vida em ordem. Queria um colo."
Interrompi a história, e falei a minha netinha que estava interessada a ouvi-lá. "Minha querida, ela queria um colo como o que eu estou te dando agora, viu como você tem sorte? Essa jovem não tinha o carinho de uma avó, e nem intimidade com os pais para desabafar..." Maria me olhou, não falou nada, mas eu percebi que ela havia entendido e concordado.
Continuei.
"Georgia se sentia assim, pois ia mal na escola, havia brigado com a amiga, sentia falta de seu namorado. Sim, isso a deixava mal. Não podia ver seu amor, pois nos tempos de hoje, namorava escondida. Sua relação com os pais era ruim, brigas dia e noite. Gostaria ela, de ser livre, como um pássaro, para ir onde quisesse. Queria ter o controle da vida na palma de sua mão, e..." Maria me interrompeu.
"Vovó sei que espera me ajudar com essa história, mas realmente não é esse meu problema." Ela me olhou quase chorando, novamente.
Lhe perguntei então, qual o motivo, gostaria de dar meus conselhos de avó. Levantei seu rosto e, fugindo do assunto, ela me perguntou como era no meu tempo, com os namorados. Como eu havia conhecido o meu Carlos.
@_annelis.

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